Cada um no seu galho mas todos macacos!
Por osmose poderíamos nos tornar uma massa manipuladora.
Em troca de benefícios poderíamos nos render a caminhos pouco ortodoxos.
Para saciar almas ávidas de curiosidade poderíamos nos tornar urubus espreitando a carniça.
Fazemos e desfazemos, não nos incomoda o jogo de hora aliar-se, hora se opor. Transformamos em catástrofe. Dizemos que não é bem assim. Afirmamos a importância. Escolhemos se ocultaremos, ou, quem sabe, não.
Arrogantes, somos um dos poderes.
De fato, alguns de nós optam por se tornar a escória da sociedade.
Muitas vezes odiados e humilhados, tantos, jamais recuam.
De fato, podemos ser inconvenientes, asquerosos. Sem nos importar.
Mas não é isso que move todos nós.
Alguns de nós carregam dentro de si algo de inquietante. Possuem mãos aflitas pela claridade.
Queremos, angustiadamente, desmascarar infratores, libertar ludibriados, vislumbrar possibilidades.
Temos, contudo, a homérica dificuldade de nos anular, de transmitir, de sermos somente médiuns. Meros transcritores.
Podemos sim, mostrar nosso DNA, mas nunca discretamente.
Estes não se interessam pelas rotinas, pelo factual. Não colocam sobre si, a sombra ou o escudo de um mandante.
Os que optam pelo escancaro, escolhem colocar-se em xeque constantemente. Preferem os poucos que os ouvem, a ouvidos domesticados.
Estes, gostam de se fazer entender, de serem facilitadores, adoram pensar que por alguns segundos, seus pensamentos são compartillhados.
Todos estes, dos escrotos aos honrados. Dos discretos aos corajosos.
Todos nós, jornalistas!
Escrito por Raquel Casselli às 14h35
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Solitários por natureza
Há algum tempo eu penso sobre a solidão. Sobre o estar sozinho. E em todos os sentimentos que isso acarreta. A solidão não é uma punição, uma incapacidade, incompetência, falta de oportunidade, ou de amor. A solidão é uma condição. Aliás ela é “A” condição do ser humano. E quanto a isso não temos nada a fazer. Nascemos sozinhos, vivemos sozinhos e morreremos sozinhos. No útero materno estamos dentro de alguém, mas não com alguém. É complicado imaginar isso, mas, conviver com alguém não significa que você não esteja sozinho....entende? Ai você nasce, sozinho, talvez nenhum momento seja mais solitário do que sair desse nosso habitat natural. Talvez a morte, talvez. E durante a vida, permanecemos nessa condição. É tudo uma questão de análise. Pela nossa vida passam parentes, amigos, namorados, maridos, animais de estimação... mas eles passam. Alguns somem e não os vemos mais, outros morrem, outros deixamos de nos relacionar, enfim. E mesmo aqueles que permanecem em nossa vida. Eles participam de instantes dela, diários, mensais, anuais, não importa, são momentos. Em todas as ações do nosso dia interagimos com as pessoas mas o único elemento comum em todos os segundos da nossa vida somos nós mesmo. Quem é o único ser que te entende perfeitamente, que sabe o que se passa dentro de você, o que você pensa, sente, faz, que compreende cada atitude, por mais maluca que ela possa parecer. Quem é o "cara" que vê lógica em você, que sabe tudo e você não precisa explicar nada, que nunca, jamais, te "deixará", não importa o que aconteça, para onde você vá, o rumo que a vida tome.....somente você mesmo. Talvez esse seja também o grande barato da religiosidade, você não se sentir sozinho, tem "alguém" que "funciona" como você mesmo. Onipresente, onisciente, e o melhor de tudo, amoroso! O interessante é que não nos damos conta disso. Quando morremos, esse é o NOSSO momento, solitário, só nosso. Então porque será que muitas pessoas se incomodam tanto em estar sem companhia por alguns desses instantes? Não gostam da idéia de não ter com quem conversar, quem olhar, que dividir, conviver. Esse também é um dos grandes problemas dos relacionamentos, algumas pessoas se irritam de forma irrevogável quando ficam sozinhas pelo fato do outro querer estar sozinho. Ou querer fazer algo com outras pessoas. Como alguém opta por estar sozinho ou com outrem? Precisamos entender que ser sozinho é uma condição inerente do ser humano, e a cada dia que conseguirmos ficar confortáveis com isso seremos pessoas mais felizes, mais conscientes e independentes. Ficar sozinho tem um grande barato, basta a gente se permitir. E logo, iremos querer mais momentos entre nós e nós mesmos, sem ninguém para atrapalhar.
Escrito por Raquel Casselli às 15h36
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Ohhh senhor!
Quando você é criado fundamentado em uma doutrina isso não pauta somente sua religiosidade, habitualmente ela diz sobre o seu modo de vida. E isso está longe de ser uma coisa banal.
Você aprende que deve procurar ser uma pessoa melhor, ir eliminado da sua personalidade características...ahhh...negativas digamos assim. E você passa a vida inteira tentando se modificar, se aprimorar, se moldar, sem se agredir. Mas diariamente lutando contra si mesmo. Controlando pensamentos, ações, sentimentos, vibrações. E a cada tropeço, vem a culpa. A sensação de incapacidade, de incompetência. Fora isso, entender, compreender e aceitar com "amor" pessoas que não tem os mesmos princípios, e nem querem ter. Pessoas que estão se lixando pra essa história de aprimoramento pessoal, reforma íntima ... não bastasse isso, adequar todo esse "conteúdo" ao modelo de vida que temos hoje.
Vale a pena, sabemos que sim. Mas tem dias, que simplesmente queremos nos permitir ser humanos. Não queremos mais saber de nada disso.....só queremos um abraço pra dormir.
Escrito por Raquel Casselli às 18h01
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Auspicioso
Com os pés fixados no chão Clarissa sente que só vive 10% de sua capacidade. Está pregada em um universo bem pequeno do que certamente irá alcançar. Mas não sabe quando partir, quando mudar, onde iniciar. Ela só entende que cada pequeno gesto desse cotidiano é uma preparação, uma confecção. Quase que mediunicamente vê o que lhe espera, com cores borradas e de traços ainda suaves...mas é amplo, arejado, prazeiroso, transformador. Ela aguarda como quem tem a certeza de seu destino, que as pedras do seu caminhar se unam sob seus pés traçando o caminho. Ela pára e observa cada pequeno sinal, logo estará na hora, logo será o dia.
Escrito por Raquel Casselli às 16h30
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Fasilitamdo!
Vosês já pararam para pemsar ce maravilha seria se tivesemos menos regras de portugês para decorar?
Se cada letra tivesse seu som e não presizasemos colocar um monte de letras para produzir uma coiza que já eziste por si só.
Pemsem bem, pásaro é pásaro, com uma letra só, pra comsegir decolar. Como caza é caza, naser é naser, e um tamto de outras coizas que poderiam ser mais fáseis do ce são oje.
Não cero aci ir comtra a nova regra ortográfica, e é evidemte ce uma reforma desas seria de fato, complicada, mas para ce imvemtar um monte de regras para algo ce pode ser tão simples?
É raro emcontrar algém ce não se perca com tamtos impesilhos limgísticos, mas vejam se não ajudaria: - s = tem sempre som de "s". Não presiza de "ç", "ss" e "c". Pra ce isso se temos o "s"?
- z = é sempre "z" nada do "s" ou do "x" roubar o lugar dele
- ca, ce, ci, co, cu = pra ce precisa de "que", "qui", "quo", essas sílabas são pra isso.
- ga, ge, gi, go, gu = a mesma coisa, não tem nesesidade de usar: "gue" e "gui"...pra ce?
- u / l = "eu" tem "u" porque tem som de "u" e "altoestima" e todo o resto que tem som de "l" é com "l".
- m/n = sem esa istória de amtes de "p" e "b" se uza "m" e no resto "n". Fala sério, vamos fasilitar. Deixemos o "m" em tudo e o "n" para "navio", "nave", "neve", "cominho"...etc.
- h = se não tem funsão é melhor arramcar. Ele fica só para gemte "velha".
- x = pra ce utilizar "ch" se tem "x"? Algém por acazo cer falar "Chucha"
Podemos falar aci de muitas outras coizas, mas por agora, deixemos nosas cabesas com polcos nós.
Escrito por Raquel Casselli às 11h55
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Futuro
É intrigante observar qual é o limite do auxílio mútuo para cada pessoa. Perceber como cada indivíduo assimila a idéia de caridade e de "fazer ao outro o que gostariam que fizesse para você" de forma totalmente diferente.
Observemos: - O que me faz sair de casa depois de um dia estafante de trabalho e estudo? - O que pode me fazer levantar do meu lugar no ônibus para cedê-lo a outra pessoa? - Qual a razão para abrir mão do meu descanso no final de semana?
Até onde eu estou disposta a me incomodar para auxiliar outrem? Normalmente a alavanca para essa resposta é o sentimento. Você está disposto a se mobilizar por alguém que lhe é querido. Ou seja, o sentimento que te move não é a caridade, ou a consciência do viver bem em sociedade, é o bem-querer. Logo, a sua prestimosidade está vinculada a (só e somente) um círculo pequeno de queridos. Vejamos assim, eu defendo o meu círculo e você o seu. Obviamente me parece que os meus vínculos são mais importantes que os seus, (graças a nossa união sentimental), o grande problema é que você pensa da mesma forma. Problemão!
É por todos nós (todos e eu também) pensarmos assim que os corruptos não sentem pena de levar nosso dinheiro para bolsos escusos, é por isso que fulano não se importa em roubar ciclano, que não tem problema parar o carro em cima da faixa de pedestres, ou furar a fila. Certamente ninguém fura a fila na frente do próprio pai, ou passa devagarzinho na poça de água para jogar água na própria avó que está na rua.
É difícil achar o limite entre a caridade e o abuso. É complicado se solidarizar por um desconhecido (salvos casos de comoção obvia), é delicado acertar a mão entre o bem ao próximo e a própria satisfação, como é difícil algumas vezes não pensar em si em primeiro lugar.
Passo a passo...uns dias acertando, outros não. Em busca da convivência harmoniosa. "Fazendo" de cada próximo, meu querido!
Escrito por Raquel Casselli às 16h17
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A evolução do fiado
Esses dias eu parei para pensar no cartão de crédito. Ele nada mais é do que comprar fiado. O tipo de compra mais antiga dos desabonados que temos notícia.
Pense bem, antes você ia a "venda" e comprava lá suas verduras e legumes e pagava no fim do mês, ou semana que vem...enfim, deixava para pagar depois. É exatamente o que você faz hoje com o cartão de crédito! Você compra agora e só paga depois (e a empresa também só recebe depois, cerce de 30 dias depois da sua compra). O que muda é que agora eles têm as garantias de uma empresa que pode de cobrar legalmente. Isso porque hoje em dia a sua palavra, ou um vale(zinho) assinado por você, não vale de coisa nenhuma, você precisa de uma empresa e de meios legais para comprovar o que somente o fio do bigode resolvia.
O fato é que tudo ganhou uma amplitude enorme. Imagine se o dono de uma loja de um shopping de São Paulo fosse se resguardar com fios de bigode, ele teria uma peruca, ou com vale(zinhos), teria uma papelaria, e nada de pagamento.
Fiado é fiado, seja no cartão, seja na palavra. A diferença é que agora tem um "agiota" que fingi que compra a minha dívida até chegar o dia do pagamento da fatura, e eu pago esse "agiota" por uma mentirinha de 1 mês!
Escrito por Raquel Casselli às 16h20
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Abissal
Existem algumas situações na vida que você simplesmente se sente incapaz. Incapaz de resolver, de conviver, de mudar. Um sentimento revoltante te invade tentando aniquilar aquela prostração diante daquele fato. E nada. Nenhuma resolução vem a sua cabeça, nenhuma idéia, nenhuma saída. Só virar-se e deixar tudo para trás, o que traria um misto de alívio e dor que você não tem como suportar. É uma impotência tão avassaladora que sua condição humana se recusa a aceitar, sua consciência extra corpórea se recusa a se desesperançar, seus plexos se recusam a se esfrangalhar. E você fica ali, parado, sentindo aquele gosto de água salgada, mumificado. E tudo fica em silêncio.
Escrito por Raquel Casselli às 14h52
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Que casamento!
Alguém já casou um irmão?
Eu casei o meu nesse sábado...que sensação mais esquisita!
Aquela pessoa com quem você dividiu toda a sua vida...ali na sua frente...se casando...
Todas as lembranças vêm a tona...as brincadeiras de criança, as brigas, os aniversários (que no meu caso eram comemorados juntos), toda a convivência de uma vida sendo modificada em um segundo...e é inevitável pensar que a última lembrança que você tinha de vocês eram pequenos, em outra realidade, não eram aquelas pessoas.
Lembramos como tínhamos imaginado aquele momento, e como ele ocorreu de forma diferente...haviam pessoas que não estavam presentes, algumas saudades não eram esperadas, a nossa vida não estava como imaginávamos...era tudo diferente.
E ele ali, pronto para dar um dos passos mais importantes da sua vida e eu, de espectadora, pasma e imóvel...
Eu só tenho a agradecer a vida por ele ter encontrado uma pessoa tão especial e por eu ter podido compartilhar desse momento.
Não existem adjetivos que descrevam aquela sensação, só o que eu posso dizer é que foi único...
A festa foi uma troca de alegrias, não havia quem não estivesse sorrindo, era um êxtase comunitário. Não existia ali quem não tivesse certeza daquela eterna felicidade matrimonial.
Daqueles momentos que nunca esquecemos. Só faltou o vovô.
Escrito por Raquel Casselli às 15h47
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Senso coletivo é o máximo !
A falta de senso de coletividade das pessoas é irritante.
E não me venham com a desculpa de que isso é coisa de grandes metrópoles, porque temos exemplos contrários pelo mundo.
Regras básicas de convivência:
- Por favor, obrigada, com licença, desculpa. Não dói e uma hora você se acostuma a utilizar. Mas também não é por isso que você vai usar só por proforma e agir feito um animal
- Em escadas rolantes, entradas de elevadores, portas, ruas, lugares públicos, et cetera, mantenha-se a direita. Isso possibilita a livre circulação a esquerda, ou mesmo garante agilidade para pessoas que preferem andar mais rápido
- Gentileza nunca é demais, principalmente com quem te serve. Eles atendem um monte de gente chata, tem que ter uma paciência fenomenal. Quem ganha é só você. Suas solicitações serão realizadas com mais rapidez e de bom grado, além disso, sua comida não terá um tempero especial
- Lixo no chão não dá. Cuspir então...
- Farol existe para ser respeitado. O farol vermelho não significa que não custa nada TODO o resto da rua esperar você passar, afinal, é só mais uma pessoa, uns 10 segundos, que custa?! Custa! O cara não tem nada a ver com a sua vida, e se vermelho fosse igual a amarelo ele não seria vermelho
- Fechar cruzamento então...se você não tem noção de espaço, não tente, além de egoísta, dar uma de esperto
- Seta não faz mal para ninguém, inclusive é lei de trânsito, não sou obrigada a adivinhar o que você vai fazer. Pedestres e outros motoristas não são videntes. E pisca-foda-se é o mesmo que nada
- Se você está de mau-humor, é amargurado, brigou com alguém, problema seu, ninguém tem nada a ver com isso. O melhor que você tem a fazer é não tornar isso pior durante o seu dia. Isso inclui não contaminar as pessoas a sua volta
- Motoristas de ônibus têm CNH de cocheiros?
- O "entre faixas" não são propriedades dos motoboys, assim como a rua não é dos flanelinhas, não ajam como tal - Se você fica em cima da faixa de pedestres um dia um pedestre pode passar por cima do seu carro....agradável, não?
- Acione somente 1 elevador, o mais próximo do seu andar, de preferência. Além de economizar energia você evita que outras pessoas se irritem porque TODOS os elevadores sobem até o 22º andar antes de chegar na garagem. Quem gosta de vizinho de mau-humor?!
- Se você não gosta das regras de algum lugar e não pode modificá-las, se mude. É irritante conviver com alguém que não se adapta enquanto você se esforça
- Suas necessidades fisiológicas (sólidas, líquidas ou gasosas) devem ser feitas em banheiros, ninguém acha legal compartilhar de suas refeições
- Se você não sabe comer de boca fechada, não coma em público
- Caso seus odores não sejam controláveis, procure um médico. Sim, TODO mundo percebe
- Ninguém está interessado em sua conversa, ou em sua música, mantenha-os em um volume adequado
- Seja paciente, ninguém é obrigado a saber o que você quer ou como você quer. Lembre-se que muitas pessoas têm ou tiveram paciência com você
- Fila não é coisa para trouxa, é democrático e justo
- Se seu filho mais parece uma cracatua, ou mesmo se você não deu a educação adequada à ele. Ensine-o a fingir em público
- Cantadas infames podem ser engraçadas, nunca eficazes
- Pare de reclamar do seu país ou dos políticos. O país é maravilhoso, algumas pessoas que estragam. Reclamar não adianta nada, ponha a mão na massa.
- Se eu não te ligo, não falo com você, não entro nas comunidades que você me manda e não te convido para nada, fica claro a relação que temos. Não me force a ser deselegante
- Sim, existem pessoas que só saem pra conversar e dançar, se você não é capaz disso, não estrague o prazer alheio - NaDa pOdE SeR MaIs MeDoNhAmEnTe IrRiTaNtE Do qUe LeR TeXtOs AsSim. A próposito, eu não tenho nenhum "miguxo" ou coisas bizarras desse tipo
- Se você não conhece bem o português faça o básico, e fique atento as caretas que as pessoas fazem quando falam com você Parece chatice né? Mas imagine se todos seguissem essas práticas...agradável não?
OBS. Talvez eu inclua mais alguns tópicos daqui a algum tempo...rs
Escrito por Raquel Casselli às 14h02
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Talvez o normal hoje fosse anormal
Vocês também são surpreendidos com aquele desejo de que tudo volte ao normal? As coisas vão acontecendo em nossas vidas e de repente, a gente só gostaria que tudo voltasse a ser como antes. Aquela sensação de que tudo está acontecendo fora do normal, aquela saudade amarga e doída. Às vezes até nos colocamos a imaginar como seria se tudo fosse como antes. Que delícia que seria !!! O problema é, qual é o normal? Bem, para mim o normal era meu pai casado com a minha mãe, meu avô entre nós, os natais na casa da tia Anita, a família toda reunida, ninguém morando foram de SP, eu na escola, e agora que meu irmão vai casar...quanta anormalidade! Mas, esse normal era real em 1990...a 19 anos atrás....meu Deus!!! Bem, se eu puder me acostumar com o normal somente de pais casados e meu avô aqui conosco, bem, ai isso seria a 4 anos atrás...é muita coisa!
A idéia de "normal" para nós é sempre aquele período que nos foi mais confortável, em que tudo estava em seu "devido lugar" em nossa mente imediatista e limitada. Porém, com 4 anos de idade, o que poderia estar fora do lugar? E mesmo a 4 anos atrás. Certamente, devia ter algo errado, que hoje, eu nem sequer me lembro. Quantas coisas, hoje imprescindíveis na minha vida, que eu não tinha naquele tempo. Porém, é esse período que data a minha zona de conforto e normalidade.
É engraçado como vamos nos habituando as coisas bacanas sem perder a nostalgia do passado, sem notar que sem essas transições, a vida não iria pra frente, as coisas boas não iriam surgir.
Como é complicado se adaptar a novas realidades, como é difícil fazer da sua realidade o seu normal, a sua zona de conforto.
As saudades são necessárias para nos lembrar a sorte que tivemos em vivenciar aqueles momentos, para termos boas histórias para contar, sentimentos ternos conosco.
Os problemas do passado naturalmente parecem menores, e as lembranças e saudades mais vivas, porém, nada pode ser melhor do que a vida que construímos hoje. Talvez com alguns desconfortos, algumas mudanças inesperadas naqueles planos de vida que todos nós fazemos, mas observando atentamente, estamos exatamente onde deveríamos estar, do modo correto, no estado perfeito e o futuro, hora normal, hora anárquico, sempre seguirá os seus devidos caminhos.
Não é resignação, é consciência!
Escrito por Raquel Casselli às 13h16
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O lesbianismo natural de todas nós
Trânsito, mas que trânsito! Algum motoqueiro deve ter se espatifado na rua!!! Parada naquele farol pela manhã, Clarissa começou a observar as mulheres que passavam a sua frente na faixa de pedestres. Analisava as formas, o volume, o desenho de cada centímetro feminino daqueles corpos. Era tão interessante observar as diferenças entre cada detalhe, cada excesso ou falta. Não, isso não é um peito normal, não é peito de mulher normal, silicone, muito bem colocado, mas silicone. Como essa criatura tem coragem de sair de casa com essa roupa, com tudo que deveria ficar escondido a mostra? Quantas horas de academia será que preciso fazer para meu quadril ficar assim...umas 2 mil por semana? E os pensamentos iam invadindo sua mente, cada vez mais progressivos e lógicos. Começava a imaginar que hábitos delinearam cada formato, os códigos genéticos que influenciaram cada desenho, e o investimento (ou falta dele) de cada ser que passava na sua frente.
Eram muitas diferenças, muitas combinações, que lhe pareciam já formar uma personalidade...imagine só...com aquele franzido na testa, certamente ela é uma pessoa ranzinza, mal-humorada. E aquela com aquela cara de "santa-do-pau-oco", quando o marido sai de casa, deve bater na porta do vizinho, ahh, mas ela está sem aliança, deve ter tirado para disfarçar, no encontro com o amante. E a grávida, será que foi golpe da barriga? Com essa cara de poucos amigos, deve ter processado o pai que não quer assumir a criança. Nossa, isso é uma mulher ou u....
Biiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii.....sim...eram os carros de trás buzinando, o farol abriu...
Lésbica? Pensara ela por alguns minutos. Não. Podia ser só aquele sentimento de competição feminina, ou aquela mania de falar do alheio, ou mesmo o perfeccionismo que sempre a assombrará. Mulheres são assim, nos trocamos uma na frente das outras, somos mais próximas mesmo, ajudamos a se vestir, a colocar as coisas em seus lugares, fazemos elogios, abraçamos, beijamos, isso é maturidade, por isso somos mais observadoras, reparamos mais, e...ligou para Samuel, seu namorado. Instigou-o por alguns minutos, só pra garantir. Desligou o telefone. Fez a baliza. Chegara ao trabalho.
Escrito por Raquel Casselli às 16h27
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O dia D de Clarissa
Clarissa acordou particularmente diferente naquela manhã de segunda-feira. Cumpriu sua rotina diária rumo ao trabalho. Banho, café-da-manhã, vestir-se, carro, trânsito. Porém algo parecia diferente naquele dia. Uma sensação de deslocamento e insatisfação tomara conta dela. Não havia nada de errado em sua vida. Família ok, amor ok, amigos ok, saúde ok, dinheiro, o normal, que é mais ou menos ok, trabalho ok. Trabalho ok? Não, hoje não.
Ela olhou para suas atribuições diárias e percebeu que não sentia o menor prazer em nada daquilo, que nada do que fazia era realmente motivador.
Ela queria fazer algo transformador, não revolucionário ou utópico, transformador. Algo que trouxesse qualidade de vida para as pessoas, que ajudasse a resolver problemas sociais que ninguém se importa, que exibisse histórias desconhecidas que todo mundo deveria saber.
O desconforto tornou-se maior quando pensou em sua profissão, tentando achar algum setor que pudesse suprir essas necessidades, deparou-se com uma idéia e uma sensação de um possível caminho, mas era uma sensação e não uma certeza.
Pensou em como direcionar sua vida para esse percurso, e a dificuldade de pragmatizar isso era assustadora.
Resolveu parar, respirar, cumprir com cada parte de sua rotina, afinal ela não tinha como fugir disso naquele momento, e começar, passo a passo, em uma reflexão minuciosa permeada de atitudes crescentes, a traçar uma nova rota em busca dessa sensação, desse novo caminho.
Escrito por Raquel Casselli às 12h18
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Quantas saudades !!!
"Um dia a maioria de nós irá se separar. Sentiremos saudades de todas as conversas jogadas fora, as descobertas que fizemos dos sonhos que tivemos dos tantos risos e momentos que compartilhamos...
Saudades até dos momentos de lágrima, da angústia, das vésperas de finais de semana, de finais de ano, enfim... Do companheirismo vivido... Sempre pensei que as amizades continuassem para sempre...
Hoje não tenho mais tanta certeza disso. Em breve cada um vai pra seu lado, seja pelo destino, ou por algum desentendimento, segue a sua vida, talvez continuemos a nos encontrar, quem sabe... Nos e-mails trocados...
Podemos nos telefonar... Conversar algumas bobagens. Aí os dias vão passar... Meses... Anos... Até este contato tornar-se cada vez mais raro. Vamos nos perder no tempo... Um dia nossos filhos verão aquelas fotografias e perguntarão: Quem são aquelas pessoas? Diremos que eram nossos amigos. E... Isso vai doer tanto! Foram meus amigos, foi com eles que vivi os melhores anos de minha vida! A saudade vai apertar bem dentro do peito. Vai dar uma vontade de ligar, ouvir aquelas vozes novamente... Quando o nosso grupo estiver incompleto... Reuniremos-nos para um último adeus de um amigo. E entre lágrima nos abraçaremos...
Faremos promessas de nos encontrar mais vezes daquele dia em diante. Por fim, cada um vai para o seu lado para continuar a viver a sua vidinha isolada do passado... E nos perderemos no tempo... Por isso, fica aqui um pedido deste humilde amigo: não deixes que a vida passe em branco, e que pequenas adversidades sejam a causa de grandes tempestades..." Autoria atribuída a Fernando Pessoa
Escrito por Raquel Casselli às 11h37
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Será que foi o Pica-Pau?
Esses dias eu ouvi uma frase que há muito tempo não escutava:“Os adolescentes se acham onipotentes”? E começei a tentar entender qual seria a origem dessa sensação e consequentemente desse pensamento. Considerando que esta não é uma característica isolada, o que exclui o fator criação, ou o meio em que se vive. A causa desse sentimento está em algo cotidiano de todos eles e certamente algo que os acompanha desde a infância, para assim, aparecer formada na adolescência. Então voltei os olhos para minha infância, a dos meus amigos e primos, e tentei achar um fator comum e relevante...primeiro pensei nos video-games, seria possível, principalmente por eles partilharem de algumas características que explicitarei um pouco mais adiante, porém precisava de algo mais acessivel, mais comum a todas as classes sociais, e após pensar muito....não é que eu achei uma pista....os desenhos!!! Parece absurdo imaginar, mas faça uma breve reflexão dos desenhos da sua infância, os personagens explodem, se furam, se queimam, caem de alturas inimagináveis, são atropelados, sofrem todo tipo de desastre, e não morrem, podem sofrer uma deformação instantânea, ficarem cortados ao meio, amassados, mas logo voltam ao normal, passam por isso milhares e milhares de vezes e permanecem vivos e como eram antes. Será posssível que de alguma forma isso afeta o inconsciente das pessoas, fazendo com que, de certa maneira, elas passem a não sentir medo ou não julgar que algumas atitudes sejam realmente perigosas? Talvez, o fato é, uma caracterísitca de personalidade não surge aleatoriamente, ainda mais uma tão comum, certamente há uma origem, será ela animada?
Escrito por Raquel Casselli às 18h19
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